Frequentemente, escuta-se que o planejamento estratégico é uma prática exclusiva de grandes empresas, e que aqueles que gerenciam um pequeno negócio não dispõem de tempo ou estrutura adequada para parar e pensar no médio prazo. Na realidade, ocorre exatamente o contrário: quanto menor é a empresa, menor é a tolerância para falhas, e o planejamento é o que permite ajustar o rumo quando algo não sai como esperado.

Durante mais de três décadas acompanhando o mercado, observando as empresas, organizações setoriais e instituições de ensino, constatei a repetição de um padrão: micro e pequenas empresas raramente enfrentam insucessos devido à carência de comprometimento ou de conhecimento técnico sobre o próprio negócio. Fracassam ao adotar decisões reativas, uma após a outra, sem uma orientação que as una.

Os sinais de que falta direção.

Determinados sinais se manifestam antes que a situação se transforme em crise: a fixação de preço estabelecida em comparação com a concorrência, em vez de considerar a margem real; a contratação de pessoal ou a aquisição de equipamentos decidida de forma apressada, sem uma análise do retorno; um fluxo de caixa que se estreita mensalmente, mesmo diante de vendas aceitáveis; e a sensação constante de estar apagando incêndio em vez de construir algo.

Esses sintomas não desaparecem com um esforço adicional. Eles se resolvem com clareza, sobre onde a empresa pretende chegar, o que a distingue da concorrência e quais das “cem tarefas urgentes” realmente merecem foco nesta semana.

O planejamento estratégico não consiste em prever o futuro. Trata-se de definir, antecipadamente, quais serão as prioridades da empresa quando o futuro se apresentar de forma distinta do previsto, uma ocorrência que, na maioria das vezes, se concretiza. Uma via efetiva, desprovida de formalidades.

Um caminho prático, sem burocracia

Para uma empresa de menor porte, o planejamento estratégico não deve ser entendido como um registro extenso de cem páginas armazenadas em uma gaveta. O que se revela eficaz é um processo simplificado, dividido em três etapas.

O primeiro aspecto é o diagnóstico: compreender com sinceridade os pontos fortes e fracos da empresa, assim como as transformações que ocorrem ao seu redor: mercado, concorrência, tecnologia e comportamento do consumidor. A segunda consiste na priorização: converter esse diagnóstico em uma lista sucinta de ações, utilizando ferramentas objetivas, para distinguir o que é urgente daquilo que parece ser urgente. O terceiro aspecto é o monitoramento: dois ou três indicadores avaliados periodicamente são mais eficazes do que uma série de metas deixadas de lado em janeiro, no começo do planejamento anual.

Foi exatamente com o objetivo de facilitar esse processo que eu criei a MENTORIA360. Trata-se de uma plataforma que unifica as principais metodologias aplicadas ao planejamento estratégico em um fluxo coeso, abrangendo desde o diagnóstico até os indicadores, sem a necessidade de uma equipe exclusiva de planejamento. Mas, de uma equipe preparada para planejamento.

Se você é o líder de uma micro ou pequena empresa e percebe que as decisões estão sendo tomadas mais rapidamente do que você consegue definir a direção a seguir, este é o momento ideal para planejar, não quando a empresa crescer o suficiente para "merecer" um plano, mas agora, enquanto cada escolha ainda tem um impacto significativo nos resultados.